A falsificação de medicamentos é um problema global que afeta principalmente países em desenvolvimento. Estima-se que 10% dos medicamentos vendidos em países de baixa e média renda sejam falsificados ou subpadrão, causando dezenas de milhares de mortes anuais. A tecnologia blockchain — um livro-razão digital descentralizado e imutável — surge como uma ferramenta poderosa para garantir a rastreabilidade e autenticidade de medicamentos em toda a cadeia de suprimentos.
Na prática, cada medicamento recebe um identificador único (código serializado) que é registrado no blockchain no momento da produção. Cada movimentação — distribuidor, atacadista, farmácia, dispensação ao paciente — é registrada como uma transação, criando um histórico inviolável. Qualquer ponto da cadeia pode verificar a autenticidade do produto consultando o blockchain, sem depender de uma autoridade central.
No Brasil, a ANVISA estuda a integração do blockchain ao sistema Datavisa para ampliar a segurança da rastreabilidade de medicamentos controlados. Projetos-piloto em parceria com a FIOCRUZ e laboratórios nacionais já testaram a tecnologia com resultados promissores. O principal desafio é a interoperabilidade entre sistemas de diferentes fabricantes e a escalabilidade — o blockchain público pode tornar a consulta lenta para milhões de transações diárias. Soluções híbridas (blockchain privado + público) são as mais promissoras.
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Fonte: OMS — Global Surveillance of Substandard and Falsified Medicines. www.who.int | MIT Media Lab — Drug Supply Chain Blockchain. www.media.mit.edu
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